
A sonoridade dos No Mazurka Band é única, constituída por instrumentos portugueses que ainda há pouco estavam à beira de extinção, com sons acústicos de instrumentos muito nossos (e alguns adotados): Campaniça, Gaita, Rauchpfeifen e Fraitas alternam com Tamboril, Bombo, Timbalão, Pandeireta e Caixa para dar corpo ao baile, fazendo do acústico o fertilizante para a construção e reinvenção dos temas Portugueses. Os NMB arrancam melodias dos instrumentos tradicionais numa mistura muitas vezes improvável de timbres e sonoridades características das várias regiões do país real e imaginado. O novo baile proposto pelos NMB, é um baile reinventado, recoreografado, despojado de trajes, com raízes profundamente entranhadas na nossa herança cultural. O Elvira inspira-se num Vira de Cruz de Trancoso; a Chula dos Guindeis foi beber a uma Chula aprendida em Amarante que durava mais de meia hora; o Malhão Azul é inspirado no congénere de Águeda e contaminado pela Cana Verde das Feiras Novas (Ponte de Lima); o Passeado e a Saia da Carolina foram aprendidos em Trás-os-Montes, e ainda hoje se dançam em festas e romarias; o Fadinho vem dos bailes de terreiro que ainda em 1960 eram moda por esse Alentejo adentro; o Corridinho de Zé Bandarrinha baseia-se num da Estremadura, onde nos anos 60 uma parte substancial do repertório eram Corridinhos; a Marcha e a Rumba vêm da raia Transmontana, e expressam uma clara contaminação cultural transfronteiriça; a moda de Dois Passos, a nossa Mazurka, foi buscar inspiração às muitas que ainda se sabem na região de Torres Vedras; e a moda do Paspalhão e da Padeirinha, brincadeiras conhecidas em todo o País, foram aprendidas no Alentejo.
NMB: Paulo Pereira (sopros e voz), António Bexiga (viola campaniça e voz), Diogo Leal (Gaita e fraita), Ricardo Falcão (percussão)